UNICEF analisa o impacto do digital na vida das crianças

26-01-2018

“A tecnologia digital já mudou o mundo, agora, está a mudar a infância”, escrevem os autores do relatório da UNICEF sobre a situação mundial da infância que aborda o impacto das tecnologias digitais na vida das crianças.
Fonte: Educare (Andreia Lobo)

Imagem: Educare

O relatório “Situação Mundial da Infância 2017: as crianças no mundo digital” confirma a presença massiva das crianças nos ambientes digitais: um em cada três utilizadores da Internet em todo o mundo é uma criança. Mas “muito pouco é feito para protegê-las dos perigos do mundo digital e para tornar o seu acesso a conteúdos online mais seguros”. Tornar o mundo digital mais seguro e acessível a todas as crianças deve ser uma missão para todos os países.

É a primeira vez que a UNICEF analisa de modo aprofundado as diferentes formas como a tecnologia digital está a afetar a vida das crianças e as suas perspetivas de futuro. Os dados foram recolhidos através de 36 workshops realizados com um total de 484 adolescentes, entre os 10 e os 19 anos, em 26 países [Bangladesh, Bielorrússia, Butão, Brasil, Burúndi, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Fiji, Guatemala, Japão, Jordânia, Quiribáti, Malásia, Nigéria, Paraguai, Peru, Portugal, Coreia, Moldávia, Senegal, Ilhas Salomão, Tailândia, Timor-Leste, Tunísia, Uruguai e Vanuatu].

Na recolha de dados foi também usada uma ferramenta inovadora de envio de mensagens, o U-Report a partir do qual foram enviadas quatro questões aos seus utilizadores. Contabilizaram-se 63 mil respostas, de crianças e jovens dos 13 aos 24 anos oriundos de 24 países [Argélia, Bangladesh, Brasil, Burkina Faso, Burúndi, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Chile, Costa do Marfim, El Salvador, Guatemala, Honduras, Índia, Indonésia, Libéria, Malásia, México, Mongólia, Paquistão, Peru, Filipinas, Tailândia e Ucrânia]. Só foram considerados os países com um mínimo de 100 respondentes.

A organização identifica os perigos e as oportunidades do mundo digital. E critica a atuação pública e privada nesta matéria: “Os governos e o setor privado não acompanharam o ritmo acelerado da mudança, expondo as crianças a novos riscos, prejudicando e deixando para trás milhões de crianças mais desfavorecidas.” É precisamente às crianças em situação de pobreza ou afetadas por emergências humanitárias que, segundo a UNICEF, a tecnologia digital pode oferecer benefícios. Quais? Por exemplo, “aumentar o acesso destas crianças à informação, desenvolver competências necessárias ao mercado de trabalho digital e proporcionar-lhes uma plataforma para se conectarem e comunicarem as suas opiniões”.

No entanto, “milhões de crianças estão a ficar para trás”, alerta a UNICEF. Cerca de um terço dos jovens no mundo - 346 milhões - não estão online. O que agrava as desigualdades e reduz a capacidade de participação das crianças numa economia cada vez mais digital, conclui a organização. O relatório analisa ainda o modo como a Internet pode colocar em risco as crianças. Através do uso indevido das suas informações pessoais, o acesso a conteúdos prejudiciais e o cyberbullying. O relatório pede mais atenção para o uso privado da tecnologia: “A presença constante de dispositivos móveis (tablets e smartphones) leva ao acesso online menos supervisionado e potencialmente mais perigoso por parte de muitas crianças.”

Tecnologia digital é “facto irreversível”

71% dos conectados em todo o mundo são jovens entre os 15 e os 24 anos, em comparação com 48% da população total. Só por si, esta percentagem justifica as preocupações da UNICEF com a situação das crianças nos ambientes digitais. Ameaça ou oportunidade? “Para o bem e para o mal, a tecnologia digital é um facto irreversível nas nossas vidas”, escreve o diretor-executivo da UNICEF, Anthony Lake, no prefácio do relatório, dando alguns exemplos: “Para o bem, o rapaz com paralisia cerebral pode interagir online com os seus pares, tornando as suas capacidades mais visíveis que as incapacidades. Para o mal, a rapariga que é proibida de estar online pela família e pela sociedade perde a oportunidade de aprender. E para o pior, um rapaz vítima de cyberbullying quase se suicida.”

Estudos mostram que as crianças estão a aceder à Internet cada vez mais cedo. Em alguns países, um menor de 15 anos usa tanto a Internet como um adulto com mais de 25 anos. Os telemóveis smartphones estão, segundo o relatório, a alimentar uma “cultura de quarto”. Proporcionando um acesso online, para muitas crianças, mais pessoal e menos supervisionado pelos adultos.
Por outro lado, “para as crianças que vivem em zonas remotas, em situação de pobreza, exclusão ou são vítimas de emergências que as forçam a abandonar as suas casas, a tecnologia e inovação digital podem abrir as portas a um futuro melhor, oferecendo acesso à aprendizagem, a comunidades de interesse, serviços e outros benefícios que podem ajudá-las a alcançar o seu potencial e a quebrar o ciclo de desvantagem em que vivem”, refere a UNICEF. O relatório dá muitos exemplos. As TIC estão a levar a educação e o ensino a crianças das zonas mais remotas do Brasil e dos Camarões e às jovens afegãs impedidas de saírem de casa. No Congo, crianças bloggers usam as TIC para ajudar na defesa dos seus direitos.

Milhões de crianças sem acesso

O relatório analisa também a exclusão digital. “Milhões de crianças estão impedidas de aceder, através da Internet, a novas oportunidades de aprendizagem, e de um dia, participar na economia digital, ajudando a quebrar o ciclo intergeracional de pobreza”, lamenta o diretor-executivo da UNICEF. Os jovens africanos são os menos conectados: cerca de três em cada cinco jovens está offline, em comparação com apenas três em cada 75 na Europa.

“Estar desconectado num mundo digital é estar privado de novas oportunidades para aprender, comunicar e desenvolver competências para o mercado de trabalho do século XXI”, refere a UNIFEF. “A menos que essas lacunas de acesso e competências sejam identificadas e suprimidas, em vez de ser um equalizador de oportunidades, a conetividade pode aprofundar a desigualdade.” Segundo o relatório, os contornos da conectividade global são preocupantes. 29% dos jovens do mundo, entre os 15 e os 24 anos, ou seja 346 milhões, não estão online. Quase nove em cada 10 dos jovens que atualmente não usam Internet vivem em África, Ásia ou Pacífico. A África tem a maior percentagem de não utilizadores.

As disparidades atingem particularmente os países mais pobres: menos de 5% das crianças abaixo dos 15 anos usam a Internet no Bangladesh e no Zimbabué. O “fosso digital” é evidente em vários grupos de diferentes estatutos sociais e económicos: entre homens e mulheres, ricos e pobres, cidades e zonas rurais, indivíduos menos e mais escolarizados. Por exemplo, 81% das pessoas nos países desenvolvidos usam a Internet, mais do dobro da proporção nos países em desenvolvimento (40%), o que, por sua vez, é mais do dobro da proporção nos países menos desenvolvidos (15%).

A UNICEF recorda as conclusões sobre desigualdade e equidade do último Programa de Avaliação Internacional de Estudantes da OCDE. O PISA 2015 revelou discrepâncias substanciais entre alunos favorecidos e desfavorecidos tanto no acesso ao computador como à Internet. Nos países e economias parceiras da OCDE, em média, 88% dos alunos favorecidos tinham dois ou mais computadores em casa, em comparação com apenas 55% dos desfavorecidos. Quanto às variações no acesso à Internet: em 40 países e economias, praticamente todos os alunos (99%) de estatuto socioeconómico elevado tinham Internet em casa, mas em 15 países isso era verdade apenas para um em cada dois alunos de estatuto mais baixo.

Numa altura em que a Internet é cada vez mais multicultural, a UNICEF está também preocupada com a ausência de conteúdos relevantes e em idiomas variados. Em 2016, a maioria dos websites estava escrito apenas em 10 idiomas, e aproximadamente 56% apresentavam conteúdos exclusivamente em inglês. Isto significa que muitas crianças não conseguem encontrar conteúdos que entendam ou sejam culturalmente relevantes para elas.

Perigos online

“Nenhuma criança está a salvo do risco online.” O alerta da UNICEF deixa qualquer pai preocupado com o que fazem os seus filhos na Internet. “As TIC amplificaram alguns dos perigos tradicionais da infância: uma vez confinados ao pátio da escola, o valentão pode agora acompanhar as vítimas até às suas casas. Mas também criaram novos perigos, como expandir o alcance dos predadores, promover a criação de material de abuso sexual infantil "feito sob encomenda" e ampliar o mercado para a transmissão de abusos sexuais ao vivo”, lê-se no relatório.

Muitos dos perigos os pais desconhecem, diz a UNICEF, apontando como exemplo as ameaças à privacidade e identidade das crianças e o processamento de dados em escala industrial que a Internet tornou possível. Relativamente à exposição e abuso sexuais, um dos perigos para os quais existem muitos alertas, a UNICEF refere que mais de nove em cada 10 URL relativos a abuso sexual infantil identificados globalmente estão hospedados em cinco países: Canadá, França, Holanda, Federação Russa e Estados Unidos.

Para a UNICEF não restam dúvidas, por tudo o que o relatório mostra: as crianças têm de ser colocadas no centro da política digital. Por um lado, têm de ser ensinadas sobre as questões ligadas à literacia digital. Por outro lado, têm de ser protegidas do abuso, da exploração, do tráfico, do cyberbullying e da exposição a conteúdos inadequados. Cumprir estas recomendações vai implicar o envolvimento de várias partes interessadas. “Somente através da ação coletiva – entre governos, setor privado, organizações infantis, academia, famílias e crianças – é possível igualar as condições de acesso ao mundo digital e tornar a Internet mais segura e acessível para as crianças.

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